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High Line de Nova York, o Jardim Suspenso da Babilônia moderna

HAROLDO CASTRO (TEXTO E FOTOS)| DE NOVA YORK

20/09/2013 - 10h19 - Atualizado 02/11/2016

 

High Line é a prova concreta que estruturas antigas podem ser reaproveitadas para o lazer da população (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Mesmo se limitadas pelo espaço, algumas metrópoles conseguem ainda criar novas áreas verdes. É o caso de Nova York que, ao aproveitar infraestruturas que seriam demolidas, criou um jardim suspenso sobre o viaduto de uma velha ferrovia. 

Entre 1929 e 1934, a Ferrovia Central de Nova York construiu uma linha férrea no lado oeste da cidade, entre a 9ª e a 11ª Avenida. Para evitar a confusão de cruzamentos no mesmo nível que as ruas, os trens de carga trafegavam sobre uma via elevada a mais de 10 metros do solo, na altura do terceiro andar dos prédios. Os vagões transportavam produtos para o abastecimento da cidade – como animais vivos, carnes, laticínios, cereais ou verduras – e entravam diretamente nos diferentes armazéns da zona portuária do rio Hudson. A ferrovia era conhecida como “Live Line”, a Linha de Vida de Nova York.

 

Vista da linha férrea cortando o lado oeste de Manhattan, na altura da Rua 17; à esquerda, a 10ª Avenida (circa 1934) (Foto: © The High Line)

 

Hoje, o elevado no bairro Chelsea é um lugar de passeio para o nova-iorquino(Foto: © Haroldo Castro/Época )

 

Durante quatro décadas, a ferrovia cumpriu sua função, nutrindo a cidade. Mas com o aparecimento dos caminhões de carga, as ferrovias, bem menos maleáveis por terem rota fixa, passaram a perder a concorrência. Os armazéns ferroviários deterioraram-se e em 1980 os trens deixaram de circular.

Vários trechos do elevado ferroviário foram desmantelados, mas o segmento entre a Rua 34 e a Gansevoort (um pouco mais abaixo da Rua 13) ficou de pé e esquecido. A vegetação tomou conta do lugar, cobrindo trilhos e mostrando que a natureza conquista até as maiores obras de concreto e de ferro concebidas pelo ser humano.

Em 1999, a Prefeitura de Nova York decidiu que iria demolir o elevado. Mas dois residentes, Joshua David e Robert Hammond, criaram a associação Amigos do High Line e conseguiram impedir a destruição. Em 2002, o Prefeito Michael Bloomberg garantiu que Nova York cederia fundos para converter a ferrovia em um parque suspenso, aproveitando a vegetação existente – incluindo árvores – e o instinto artístico e criativo nova-iorquino.

 

O elevado ferroviário transformado em jardim revitalizou o bairro oeste de Nova York(Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

Do alto do High Line, os passantes observam um painel de 23 metros de comprimento criado pelo italiano Gilbert e pelo inglês George (Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

Desde sua inauguração em junho de 2009, o High Line soube atrair artistas interessados em apresentar seus trabalhos inovadores. Uma exposição ao ar livre de uma dúzia de obras – de esculturas a pinturas – acontece neste mês de setembro. O painel da dupla Gilbert & George (foto acima) intitulado “Waking” (Despertar) pretende mostrar, simbolicamente e com cores fortes, a transformação do menino em homem adulto. A proposta de Gilbert & George (que não assinam seus sobrenomes e que trabalham juntos desde a década de 1960) é mostrar uma arte para todos os públicos e não apenas reservada à elite.

Conheci o High Line neste último domingo, aproveitando um dia ensolarado e quente em Manhattan. A trilha suspensa tem um milha de extensão (1,6 km) e fiz questão de percorrê-la toda, do início na Rua 30 até o final na Gansevoort. Óbvio, ida e volta.

Existem dois trechos amplamente cobertos pela vegetação. Quando entro em um dos túneis de vegetação, é difícil perceber que estou em Manhattan, cercado por prédios. Alguns jardins de flores selvagens mostram a força da natureza em se adaptar a qualquer ambiente: encontro pequenas borboletas, abelhas nervosas e besouros coloridos. 

 

Um dos trechos do High Line: os dois trilhos de aço (mais escuros) foram mantidos para lembrar a origem do lugar (Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

Um músico apresenta-se com seus instrumentos de percussão e convida crianças a participar da festa (Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

Como o High Line é elevado é necessário subir alguns vãos de escada para chegar até o parque. Existem nove acessos diferentes, a cada duas ruas. Isso faz que os residentes de Chelsea possam usar e abusar desta área verde da cidade.

O terceiro e último segmento do High Line, que vai da Rua 30 até a 34, está ainda em obras e será inaugurado na primavera de 2014. A meia milha adicional (800 metros) trará ainda mais verde e arte para a cidade.

Além dos jardins da Babilônia, uma das sete maravilhas da antiguidade, existem outros parques suspensos espalhados pelo mundo (como em Paris, em Bruxelas ou no Havre), cada um aproveitando alguma estrutura elevada. 

Se em alguns países viadutos que seriam destruídos foram reaproveitados como espaço de lazer para a população, no Rio de Janeiro é diferente. A administração do Porto Maravilha decidiu demolir o Elevado da Perimetral sem piedade. Não entro no mérito da decisão do governo. Mas um dos segmentos, se bem desenhado, bem que poderia ser aproveitado como um jardim suspenso...

 

Uma senhora de sombrinha protege-se do sol forte do final de verão, descansando em um dos inúmeros bancos do High Line (Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

O marchand Craig Page, residente e dono de uma galeria de arte em Chelsea, aproveita a manhã de domingo para ler o New York Times (Foto: © Haroldo Castro/Época)

 

Fonte: 

https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/viajologia/noticia/2013/09/bhigh-line-de-nova-yorkb-o-jardim-suspenso-da-babilonia-moderna.html

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